terça-feira, 8 de março de 2011

hormonas danças

bacamarte
esperando a encantadora
de serpentes
que o fita com o olhar
já se escorrendo
quere-o deseja-o

toca-se

entre as pernas
como coração pulsante
segrega desejo

geme

'fode-me'
louco a agarra
a encosta á parede
ergue-a e a presenteia
por várias vezes
numa dança ritmada
e sincronizada

ali ficam
até que menos hormónicos
e sem fôlego
se deixam cair
liquidamente no chão

vermelho desamor

pincelas na mente
um quadro pintado a sangue
de teu coração esventrado
a paleta
a cor é única vermelho desamor

olhas atrás
sim sei que
careces de tudo isso
do feito e não feito
dito e não dito

pincelas um pouco mais
realça ali
não fodas o quadro
olha atrás um pouco mais
realça aí
não fodas também o quadro

domingo, 27 de fevereiro de 2011

monstrinhos

guardo monstrinhos
peludinhos, gordinhos e feinhos
dentro de caixinhas
no peito guardo monstrinhos
pequeninos monstrinhos
que fumam cigarrinhos

sensual inebriante

casal inebriado
pelo odor sensual
pelos dois emanado
embebido em embriaguez

desarrolhemos mais uma botella
em êxtase sexual
e o néctar conhece o solo
bebamos pois do chão
como gatos
nus e ronronantes

amam-se e consomem-se como animais
no chão agora também embriagado
pelos dois infectado
divinos seres sexuais

cães uivantes

sete cães
ali
deitados contando estrelas
sete reles cães uivantes
ali
deitados de barrigas inchadas
olhando o manto nocturno
de
barrigas gordas de sonhos
olham babados e inchados
de
barrigas cheias de nada

domingo, 6 de fevereiro de 2011

corredor

corredor que corre
apenas corre
sente o vento na cara
nos lábios um travo a natureza
emanado pela bondosa floresta
isso o faz sentir bem
poderia ali viver
a correr
tendo-a a ela
como única companhia
ela que o faz sentir pleno
que lhe alimenta o ser
bastando a presença dela
em seu redor

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

árvore

habitam no seu peito
medonhas criaturas que
lhe devoram as entranhas
são como máquinas
inquietas e estridentes

angustiado

crava as unhas no peito
abre-o com ardor
de lá uma pequena árvore sai
suas pequenas raízes
logo se apressam a agarrar
a terra macia
ele alimenta-a depois
ali sentado regando-a sempre
sempre que sente seus lábios secarem

tempo passa

depressa se torna uma árvore
uma árvore como já teve
frondosa e carregada de frutos
agora paciente resta-lhe esperar
esperar por Ela
que venha colher
os frutos renovados

domingo, 30 de janeiro de 2011

silenciosamente

jaz teu corpo na cama
silencioso porém vivo
levantas-te preguiçoso
caminhas a custo
custo tal que a sentes
iminente a cada passo moribundo
expulsas então teus fluidos bocejando
regressas
e deixas cair morto
teu corpo sobre a cama

sábado, 8 de janeiro de 2011

tenho fome

queixo apoiado nos braços cruzados
debruçado sobre a mesa de jantar
tenho fome...
já revistei o frigorífico:
leite azedo e queijo bolorento
tenho fome...
como mais uma bolacha
das que encontrei debaixo do sofá
continuo com fome...

o joão mia
e sobe para a mesa
tem fome...
toma joão uma bolacha
come-a tu diz ele
é esquisito o cabrão
mesmo com fome...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

estás morto

que cena, estou gelado... estás morto? porquê, tu já estiveste morto?

a espera

porque paraste? como a árvore que pára ao deixar de sentir o sopro. esperas alguém? esperas o sopro...

domingo, 21 de novembro de 2010

sente

escrita sentida, mas sem sentido, para os sentidos

escrita para os sentidos, mas sentida, sem sentido

escrita sem sentido, mas sentida, para os sentidos

embriagado

embriagado, pelo momento, frente á lareira e no chão, como cão, suado do calor da chama, afastar-me? poderia...mas sinto o corpo petrificado.

já vinhas

já vinhas...sim tu, espero-te na espera de esperar que venhas.